Seguro diz que com ele os socialistas não ficarão reféns do memorando com a “troika”

António José Seguro afirmou esta terça-feira que, se for eleito secretário-geral do PS, os socialistas não ficarão reféns do memorando assinado com a “troika” e exigiu ao Governo uma negociação firme em relação aos fundos comunitários até 2020.

As posições de António José Seguro foram assumidas numa sessão promovida pelo PS/Lisboa, numa sala de um hotel na capital, que juntou largas centenas de militantes socialistas e em que também criticou o silêncio do ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, no debate do programa do Governo.

Na parte que foi aberta à comunicação social, António José Seguro falou principalmente de política nacional e europeia – ponto em que prometeu uma vez mais colocar o PS num papel de oposição responsável e construtiva.

“O nosso anterior secretário-geral e primeiro-ministro, José Sócrates, assinou em nome de Portugal um memorando com a denominada “troika” – esse memorando é para cumprir, é para honrar a assinatura do nosso camarada José Sócrates. Nas medidas que são taxativas e imperativas, os votos do PS aí estarão”, salientou, antes de deixar uma série de avisos ao Governo PSD/CDS.

“Nas medidas [do memorando] que apontarem para objectivos, o PS está disponível para concretizar, mas de acordo com a nossa identidade e com os nossos valores, que se encontram inscritos na declaração de princípios do partido. Mas gostava que ficasse claro que comigo à frente do PS o memorando da “troika” não suspende a política. Não ficaremos reféns do memorando da ‘troika’”, disse.

A seguir, Seguro acusou o Governo de não ter uma estratégia que aponte para o crescimento económico.

“Não a vejo no programa do Governo e, pasme-se, assistimos durante dois dias ao debate do programa do Governo [na Assembleia da República] e não ouvimos uma palavra do ministro da Economia [Álvaro Santos Pereira] nesse mesmo debate”, criticou.

De acordo com Seguro, o Governo terá compreendido “as necessidades de curto prazo, as políticas de austeridades e as políticas do corte, mas está muito longe de compreender que as políticas de crescimento é que são a aposta decisiva para criar recursos que gerem postos de trabalho e que coloquem o país numa trajectória sustentável”.

Neste ponto, Seguro aplaudiu a margem concedida pela Comissão Europeia para Portugal poder reprogramar as verbas do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), mas alertou para o carácter fundamental das negociações das perspectivas financeiras da União Europeia (2014/2020).

“Portugal não pode ir para essa negociação como foi no passado recente. Tem de chamar a atenção da Europa que vivemos uma situação específica e que a Europa ou a compreende, colocando os recursos para nos ajudar, ou então a Europa demonstra que não compreende o que se está a passar no mundo”, afirmou.

@RibatejoSeguro

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